sábado, 4 de agosto de 2007

Quanto vale a vida para você?


A vida é um dom divino que poucas pessoas sabem reconhecer. Os problemas do Mundo moderno nos levam à um estado de espírito no qual não reconhecemos as manifestações de Deus em nossas vidas. Quantas vezes você já parou para escutar o som do vento, dos animais, dos pássaros. Quantas vezes você perguntou à alguém:
- Você esta precisando de alguma coisa?
É, infelizmente nos deixamos levar pelo mundo e esquecemos de nós e dos que precisam de nós. Pense nisso.

A POBREZA NO MUNDO.




Tem causado a devida polêmica o Relatório 2000 sobre Desenvolvimento Humano, elaborado recentemente pela ONU. As estatísticas são de arrepiar! Como todos já sabíamos, os mais ricos estão cada vez mais ricos e os mais pobres cada vez mais próximos da miséria mais absoluta! Vejamos alguns dados:. Mais de um bilhão de seres humanos têm de se haver com recursos da ordem de menos de um dólar por dia.. Quase três bilhões de pessoas não têm acesso sequer a saneamento básico.. Há quase um bilhão de subnutridos, prestes a morrer de fome, neste mundão.. Existe mais de duzentos milhões de crianças vivendo nas ruas, sem o amparo da família, sem acesso à educação.... O HIV infecta hoje quase quarenta milhões de seres humanos pelo mundo afora.A economia é, obviamente, um sistema fechado. Se falta muito de um lado e a produção é grande (e efetivamente o é!) o problema e sua solução estão na questão da distribuição de rendas.O assistencialismo prega que os países mais ricos prestem alguma forma de auxílio aos mais pobres, que “combatam a miséria”, em síntese. O absurdo da proposição só não é óbvio porque a ideologia das “chances iguais para todos” silencia os sentimentos.Desde o Modo de Produção Asiático os poucos poderosos vivem nababescamente do fruto do trabalho alheio. Em outras palavras, a pobreza existe porque existe ganância, avidez, ambição e canalhice por parte de uns poucos sempre poderosos e riquíssimos porque, por pertencimento a qualquer espécie de característica idiossincrásica como o domínio do verbo (e portanto da verba), algo como “carisma” ou qualidades que os distingam, sempre somadas a vícios monstruosos na dimensão da exploração do alheio, amealham para si e os poucos a quem “protegem” o fruto do trabalho alheio. Há teorias sociológicas interessantes sobre o valor da remuneração daquele que manda, daquele que tem mais poder e maior responsabilidade. Aliás, desde os escribas de faraó bajula-se os poderosos de turno...Não existem soluções paliativas para problema tão grave, em absoluto! As soluções são sempre radicais e sua hora chega, senão vejamos: Espártaco, Lênin, Mao-Tse-Tung, Che Guevara, Carlos Lamarca... Na vertente não violenta, que é sempre preferível, Henry Thoureau, Mahatma Gandhi e tantos na direção corretamente apontada pelo divino Mestre que, quando afrontado pelos escribas e fariseus de seu tempo com uma pergunta capciosa, daquelas que qualquer resposta estaria errada, saiu-se muito bem! Vale citar diretamente o texto bíblico:(Evangelho segundo São Mateus, capítulo 22, versículos de 15 a 22)(MT 22:15) - “Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam nalguma palavra”;(MT 22:16) - E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens.(MT 22:17) - Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?(MT 22:18) - Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?(MT 22:19) - Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro.(MT 22:20) - E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição?(MT 22:21) - Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.(MT 22:22) - E eles, ouvindo isto, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram.”A lei mosaica proibia os judeus de pagar tributos a qualquer potência estrangeira. A lei romana determinava o pagamento do tributo. Se Cristo respondesse ser ilícito pagar o tributo, teria problemas com os romanos mais precocemente do que teve mais tarde, se, por outro lado, dissesse ser lícito, sim, teria problemas mais sérios ainda com os herodianos, os “fariseus, hipócritas, raça de víboras, sepulcros caiados!” Mas se você é um homem do Estado, que vive das benesses do Estado (Egípcio, Romano, Ianque ou o que o valha), nada mais sensato que prestar-lhe o devido tributo! Até por isso o Mestre enfatizava sempre que “o meu reino não é deste mundo...”Eduardo Galeano em “As Veias Abertas da América Latina” informa que somos como o paciente terminal na UTI de um hospital público a transfundir nosso sangue aos gordos, ricos, sadios e bem nutridos cidadãos do primeiro mundo... No mesmo livro menciona que a quantidade de ouro que foi retirada daqui para a Europa logo no início das Grandes Navegações daria para construir uma ponte de um metro cúbico de ouro maciço ligando Potosí, na Bolívia, a Londres! O quanto o ouro de Vila Rica contribuiu para a riqueza da Inglaterra é indescritivelmente cruel. Montanhas de ouro levadas de navio, nem mesmo esquentavam os cofres portugueses e seguiam (assim o impunha o “Tratado de Methuen”) para a Inglaterra. E onde havia montanhas, hoje há grandes crateras, do período colonial ao período “Serra Pelada”...O otimismo esquisito de alguns que pensam ser este quadro de alguma forma reversível por algum tipo de “bom mocismo” dos mais ricos só não é risível porque sério demais! À guisa de “solução” uns sugerem que “haja menos barreiras ao livre comércio”, ou seja, que os poderosos sejam mais livres para explorar ainda mais os mais humildes deste mundo.Soluções existem, mas sempre radicais:. Em primeiro lugar a dívida e(x)terna dos países pobres, que tem de ser suprimida com uma penada. Nós subvencionamos a riqueza do primeiro mundo, somos CREDORES deles, isso sim!. Tanta abertura e desmonte de barreiras só servem mesmo aos poderosos do mundo para que possam explorar mais confortavelmente a mão-de-obra e os produtos básicos baratos dos países exportadores de bananas e grãos. Supor que através de uma igualdade no tratamento entre exportadores de leguminosas de um lado e exportadores de tecnologia, hardware e software de outro se possa dirimir os problemas dos países pobres é tão ridículo quanto supor que os queijos e vinhos portugueses poderiam melhorar sua situação na troca mercantil com manufaturas inglesas. O resultado, a Inglaterra um dos países mais ricos do planeta e Portugal, um dos mais pobres da Europa, é suficientemente elucidativo do que aqui se expõe.. Desobediência civil! Há países perfeitamente auto-suficientes, como é o caso brasileiro! Abundância de recursos naturais, um povo forte e trabalhador, inteligências raras sendo exportadas para o primeiro mundo (a evasão de grandes cérebros brasileiros para o hemisfério norte já foi manchete em várias publicações sérias por aqui, inclusive!). Especulo que viveríamos muitíssimo melhor com menos relações com povos que só querem nos explorar. Teríamos o desafio de realizar coisas com nossas próprias habilidades, mas não teríamos mais de enviar a nata de nossos recursos humanos e materiais para países que já os têm de sobra!. É fundamental revisar as relações internacionais! Que os países do primeiro mundo só aceitem diplomatas que defendam os interesses deles e não os nossos é um descalabro! Que a mão-de-obra e os produtos dos países pobres seja tão depreciada é inadmissível!A solução, em síntese, não está no “bom mocismo” dos ricos em auxiliar-nos de alguma forma. Está antes em encontrarmos nós mesmos, em fóruns internacionais de países pobres, alternativas mais sorridentes. O exemplo dos “Países Não Alinhados” da década de 60 foi excepcional e precisa ser reeditado!Não me encontro entre os que consideram a globalização como uma fatalidade natural inescapável como terremotos ou furacões. É obra humana, como a bomba atômica e as Escolas de Guerra, portanto humanamente reparáveis.A Esperança reside ainda em sabermos que, assim como o domínio Romano praticamente acabou, também a Inglaterra teve seu momento e hoje os poderosos do mundo serão também dialeticamente superados. Estas idas e vindas da história são incômodas, mas inescapáveis. A última palavra sobre o socialismo, a liberdade, a igualdade e a fraternidade ainda não foi pronunciada. Não está entre os ricos. A solução para os nossos problemas está em assumirmos definitivamente nossa autarcia!